Mensagem do Organizador
Nestes últimos anos, em todo mundo, o tema segurança do paciente vem sendo intensamente debatido. Em todo Congresso sobre saúde a palavra
Segurança está grifada. O que vem ocorrendo? O problema não existia e agora foi descoberto?
Este será o quinto ano do Safety. Convido novamente a todos a aprofundar a discussão e propostas.
Pela complexidade e tamanho do problema não existe fórmula ou produto mágico. Se você quer discutir um tema mande um email para mim:
alfredoguarischi@yahoo.com.br. Vamos buscar um local na complexa agenda.
Em 2008 nasceu o Safety. Filho de questões pessoais, nascido à fórceps, vem se desenvolvendo. Alguns imaginaram que seria um sequelado, mas os padrinhos – são tantos – apoiaram e mostraram os caminhos.
O Safety não certifica nada, debate a ciência e só visa o lucro social. A cada ano ganha mais seguidores (eramos 160 em 2008 e fomos 780 inscritos em 2011). Já temos até um site permanente
www.safetymed.com.br. Lá publicaremos artigos e casos, seguindo o exemplo do seu primo rico e americano
www.ahrq.org.
Quando algo errado acontece a discussão do erro, quase sempre na busca por culpado(s) e uma causa principal. A segurança é muito mais do que isso. Humanos erram com extrema frequência, mas a consequência do erro (dano) só ocorre quando existe uma conjugação de fatores, muitos dos quais sem aparente relação. A análise de uma causa raiz não é o melhor caminho, pois o problema quase sempre é complexo. Desenvolver uma cultura de segurança de forma transparente a todos (profissionais, clientes internos e externos) é o grande desafio. No entanto os aspectos jurídicos e econômicos acabam prevalecendo e a busca pela punição, necessária em situações específicas, acaba virando a regra. Com isso perdemos a oportunidade de entender o(s) por quê(s) e como realmente ocorreu o fato.
A SOBRACIL RJ, o Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro, a Diretoria de Saúde da Aeronáutica, a Diretoria de Saúde da Marinha do Brasil, a Academia Nacional de Medicina, o Ministério da Saúde, o Instituto Nacional do Câncer, o Colégio Brasileiro de Cirurgiões e Instituto de Energia Nuclear foram de excepcional valia com seu apoio institucional.
Sem atrativo econômico o Evento despertou muito pouco interesse de patrocínio, diante do montante financeiro que o sistema de saúde mobiliza anualmente em propaganda. Ter seu nome ligado a algo que pudesse lembrar o que não deu certo foi outro enorme obstáculo. Mas o corajoso patrocínio, direto ou indireto, da Amil, Unimed Rio, Rede D´Or, Hospital São Lucas, Hospital Samaritano-RJ, Hospital ProCardíaco, HCor-SP, Hospital Albert Einstein-SP, Hospital Moinhos de Vento-RS, Laboratório Sérgio Franco, CDPI-Multi Imagem, Laerdel, Laboratório Sanofi Aventis, Laboratório Nikko do Brasil, Johnson&Johnson, Editora ArtMed e TV-Med nestes quatro anos, permitiu viabilizar o congresso.
Não existe atividade humana sem erro, independente do treinamento ou avanços tecnológicos. Demonstrar que podemos aprender com os menos graduados ou com quem tem uma formação completamente diferente da nossa é um dos aspectos que diferencia este Congresso. Veja quem palestrou nos últimos anos.
A Diretoria de Saúde da Aeronáutica aceitou o desafio e está implantando a mesma metodologia do treinamento de aeronautas à equipe de saúde da FAB (GERHUS - Gerenciamento de Recursos Humanos em Saúde). O CRM (Crew Resource Management) foi importante na melhoria da segurança de vôo e é obrigatório em todas as companhias aéreas do mundo. O GERHUS tem longo caminho pela frente, mas, pelo seu baixo custo e fácil estruturação, já começou a apresentar resultados positivos. Vocês verão nossos primeiros resultados.
Mas ainda não respondi a questão inicial: Por quê agora se fala tanto em segurança do paciente? Minha impressão é que a conta ficou alta demais para pagar. A sociedade se mobilizou, reagindo com a judicialização do tema. Erros decorrentes de imperícia, imprudência ou negligência são a minoria, mas pouco importa quando ocorre o litígio. A questão maior que o sistema de saúde tem que buscar é como evitar, diagnosticar imediatamente e mitigar o erro – de qualquer natureza – para evitar o dano. Este é o mantra do Safety.
A maioria da população que vive em comunidades é de gente boa e honesta. Vivia oprimida. O Estado com suas tropas de elite fez seu trabalho. Mas é necessário que o mesmo Estado promova programas educativos e melhorias nas condições gerais para assegurar a liberdade conquistada. Na saúde ocorre o mesmo. Uma tropa de elite está atuando, coibindo a má conduta, mas precisamos de mais transparência e uma cultura de segurança – entender melhor o “por quê?” o “como?”. Os erros se repetem quando não há programas educativos constantes e melhorias nas condições do trabalho.
Como disse Mario Quintano, o poema não muda o mundo, mas muda os homens que podem mudar o mundo. O Safetty não visa mudar a medicina, mas mudar alguns que podem fazer uma medicina melhor.
Vamos fazer isto juntos !
Aguardo vocês.
Alfredo Guarischi
Organizador do Safety